quarta-feira, 14 de maio de 2014

Minh'alma tola

Escrever exige sempre um pouco de dor ou um pouco de paixão, um pouco de medo ou um tantinho de solidão, junta nisso algumas dúvidas, duas dúzias de lágrimas e assim nasce o poema, assim, desse jeito, nasce a poesia. Escrever antes de tudo é sentir - sentir até o fim - como disse Clarice, escrever é traduzir e “sempre o será” resumiu Saramago.

Eu escrevo quando transbordo, escrevo quando me calo, escrevo quando a esperança das palavras me vacila, escrevo porque não sei falar e escrevo porque aqui eu não explico, eu não minto, eu não finjo.

Escrever é uma arte!

Ah se eu pudesse me esvaziar em cada uma destas palavras bobas aqui descritas! Tão leve seria minh’alma, tão tolas seriam as horas, que a cada novo poema haveria de nascer um novo amante, que a cada singela poesia nasceria ao acaso um novo romance.

Quem dera o dia em que escrever seja só morrer, e dia-a-dia morrer e renascer. Oxalá de um dia os ventos meus pedidos entender para quiçá, quem sabe, o orixá mudar de ideia e definir que amar, a partir de agora, já não é mais doer, a partir de agora está decretado que amar já não é mais sofrer...